domingo, 13 de agosto de 2017

Os resultados da Educação não são mensuráveis


Os governos federal, estaduais e municipais costumam trabalhar com metas, números e estatísticas para avaliar a qualidade do ensino e buscar melhorias. Nos últimos anos, foram criados diversos instrumentos para avaliar a qualidade do ensino no Brasil. Apesar de serem necessários, todos eles são falhos. E por quê?

Índices de aprovação, de proficiência, fluxo escolar, todos esses números nos dão uma ideia do que acontece nas escolas. Frequência dos alunos nas aulas e notas nas provas e nos trabalhos escolares podem nos dizer muito em relação à qualidade do ensino. Mas não dizem tudo, não são suficientes por si só. Para entendermos isto, é preciso entender o que é de fato a educação.

O artigo 205 da Constituição Federal de 1988 dispõe que:
A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, preparo da pessoa para o exercício da cidadania e qualificação da pessoa para o trabalho.
Ou seja, os objetivos maiores da educação são 1) o "pleno desenvolvimento da pessoa"; 2) o "preparo da pessoa para o exercício da cidadania"; e 3) a "qualificação da pessoa para o trabalho". Geralmente, quando se pensa em ensino, pensa-se somente neste último objetivo. Mas, como vemos, a finalidade da educação não é apenas preparar o indivíduo para o trabalho. A educação tem como fim desenvolver o ser humano e prepará-lo para ser um bom cidadão. Esse desenvolvimento se dá em diversos aspectos, visando à felicidade e bem estar do indivíduo (isto inclui até mesmo o seu desenvolvimento físico, com a prática de atividades físicas e esportivas e com uma alimentação adequada).

Educar significa transformar vidas. E essa transformação não pode ser medida por números. Como sabemos que a educação funcionou? As estatísticas não mostram quantas pessoas se sentem realizadas após terminar seus estudos, nem mostram qual a influência da escola nesse sentimento de realização. Os verdadeiros resultados da educação só se tornarão visíveis décadas depois, quando pudermos ver, pela sociedade que construiremos no futuro, que tipo de cidadãos a escola formou.

No entanto, quando dizemos que não é possível medir os resultados da educação, isto não significa dizer que esses resultados não existam. O futuro do nosso país e de nossa sociedade vai depender do trabalho que está sendo feito hoje em nossas escolas. É a escola de hoje que vai determinar a cara que o nosso país vai ter nas próximas décadas.

A proposta que apresentamos com este artigo é de uma educação menos preocupada com as metas e com os números, mas com um ensino humanizado e humanizador, um ensino mais voltado para o desenvolvimento do ser humano enquanto sujeito de direitos. Para isto, é necessário profissionais bem capacitados, bem remunerados e em constante formação, uma estrutura escolar que propicie a realização de um trabalho docente de qualidade e uma organização escolar que possibilite o alinhamento do ensino com um projeto bem definido de sociedade.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Por um Novo Esquerdismo

O Liberalismo aposta na virtude dos empresários
A doutrina conhecida como liberalismo social parece mesmo muito bonitinha. Prega igualdade social, mas afirma que o caminho para isso é pelo capitalismo "humanizado". Toda aquela história bonitinha de "mão invisível do mercado" funcionaria muito bem, se não fosse por um pequeno problema: os empresários não são bonzinhos! As grandes empresas só querem dinheiro. São gananciosas. Mesmo os projetos sociais e de sustentabilidade que as empresas desenvolvem são parte de uma estratégia de marketing. Uma equipe de um departamento de marketing decide: "Precisamos criar uma imagem positiva da empresa. A melhor forma de conseguir isso é criando um projeto social ou fazendo uma doação para o Teleton. Vamos fazer isso!" Acredite, não é caridade pela caridade. É um investimento. E eles doam com uma mão e tiram com a outra, quando lesam o trabalhador em seus direitos, quando enganam o consumidor, quando sonegam impostos. Não podemos confiar a missão de mudar o nosso país nas mãos dos empresários. Leis trabalhistas precisam existir, leis de proteção ao consumidor têm que existir, leis ambientais têm que existir para impor limites às grandes empresas.

E o Estado? É virtuoso?
A direita, em contrapartida, acusa a esquerda de apostar na virtude do Estado. Talvez uma parte da esquerda realmente cometa esse erro. Mas é um erro. Os políticos também não são bonzinhos (tenho a sensação de estar sendo óbvio demais...). O Estado tem o papel de administrar os limites entre as liberdades. O grande problema é que os políticos são corruptos. Os políticos representam, na maioria das vezes, os interesses do capital. Eles são financiados pelas grandes empresas. E as empresas financiam os políticos esperando benefícios em troca. E os políticos, por sua vez, governam para as grandes empresas, não para o povo.

O que fazer, então?
Talvez a solução para esse impasse seja a luta por uma democracia plena. O poder popular é a única forma de se garantir que os nossos direitos não sejam violados e que haja igualdade social. A Constituição Federal, no seu artigo 1º, parágrafo único, diz que "Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente..."(grifo nosso) Ou seja, a constituição prevê que o povo pode exercer diretamente o poder. Mas quais são os instrumentos e dispositivos legais que possibilitam isso? É preciso que sejam criadas leis e feitas emendas constitucionais que possibilitem que o povo exerça diretamente o poder. Os governos têm que governar para os mais fracos, não para os mais fortes. São os mais pobres e mais excluídos que precisam de governo.

Como o povo pode ser empoderado?
O povo não pode exercer poder enquanto não tiver conhecimento e educação. Mas não é a escola que carrega sozinha a responsabilidade de educar o povo. Educar é papel de várias instituições, inclusive os movimentos sociais. Educamos as pessoas divulgando o conhecimento, conscientizando pessoas, dialogando com o povo. Nossa população mais pobre hoje está defendendo as ideias e os interesses de seus maiores inimigos. Os conservadores mais reacionários têm recebido grande apoio e aplauso das massas excluídas, que acreditam serem eles os seus salvadores. O povo não tem conhecimento, e por isso erra. O povo precisa ter a consciência de seu papel, de sua força, e depois exercer o poder.

Por que o povão tende para o conservadorismo reacionário?
Um grande problema das esquerdas de nosso país hoje é o academicismo. Intelectuais de esquerda hoje sentam em roda para discutir teoria, discutir Marx, com seus jargões e sua linguagem acadêmica e sentem suas consciências tranquilas, achando que estão fazendo a sua parte. Enquanto toda essa discussão não consegue atravessar as paredes da Academia, as favelas aplaudem os Bolsonaros da vida. Os intelectuais precisam deixar a sua indolência e dialogar com as massas antes que seja tarde demais. Nenhuma revolução se faz dentro de universidades, mas nas ruas, com a força das massas.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Não há rombo na Previdência


Não existe o tal rombo na Previdência. Não podemos nos deixar enganar. Não podemos aceitar que a trabalhadora e o trabalhador paguem a conta.
Vamos divulgar essas informações para o máximo de pessoas possível.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

O Saber Científico e a Busca de Soluções para os Grandes Males da Humanidade

Vivemos em uma época de extraordinário avanço científico e tecnológico. A ciência fez grandes descobertas, realizou coisas que nos séculos passados eram inimagináveis, e com isso vem contribuindo significativamente para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Paradoxalmente, a humanidade ainda tem que lidar com problemas antigos, como a pobreza, a intolerância, a desigualdade, a violência, o preconceito, a discriminação, o fanatismo.

No livro Pesquisa Social: Teoria, método e criatividade, a professora Maria Cecília de Souza Minayo diz o seguinte: "Para problemas essenciais, como a pobreza, a miséria, a fome, a violência, a ciência continua sem respostas e sem propostas"¹. Ou seja, segundo ela, a ciência ainda não foi capaz de fornecer respostas ou propor soluções para esses problemas. Eu me pergunto: será mesmo? A ciência é realmente impotente em relação a essas questões?

A época em que estamos vivendo é uma época riquíssima em termos de conhecimento científico e acadêmico. O mundo é pontilhado de universidades e centros de pesquisa. Em todo o planeta, em todas as grandes cidades, um grande volume de conhecimento científico é produzido diariamente. São inúmeros estudos, artigos, teses e dissertações, palestras e conferências produzidos em várias partes do planeta em grande quantidade. Eu arriscaria dizer que hoje a humanidade dispõe de uma quantidade bastante satisfatória de conhecimento científico, suficiente para que possa proporcionar muita qualidade de vida para todas as pessoas. Ainda que haja muito a se descobrir, estamos hoje em um nível bastante avançado de conhecimento científico.

Sendo assim, eu não posso acreditar que não exista conhecimento suficiente para que se possa encontrar uma solução para problemas como a miséria, a desigualdade social e a violência. Com um esforço consciente e direcionado para esse fim, eu não creio que fosse impossível resolver esses problemas, e em um prazo não muito longo. Logo, qual a razão para que esses problemas ainda existam?

Ao longo da história recente da nossa civilização, podemos ver claramente que não existe o interesse por parte daqueles que detêm o poder em resolver esses problemas. Há setores da sociedade que têm interesse direto na manutenção da desigualdade e da ordem atual das coisas. Setores dominantes que querem continuar dominantes a qualquer custo. Setores que colocam os interesses econômicos acima do bem estar e da felicidade da coletividade. Portanto, a miséria, a desigualdade social e a violência não são uma questão de conhecimento científico, mas de política.

Os governos têm o poder de solucionar problemas aparentemente insolúveis. Bastaria fazer com que a produção acadêmica fosse aplicada a essa finalidade, na busca de soluções, na criação de projetos que fossem capazes de eliminar esses problemas. A ciência talvez não tenha respostas exatas, soluções mágicas ou fórmulas prontas para resolver todos os problemas, mas é capaz de identificar as causas dos problemas e de apontar o caminho para a sua resolução. No entanto, raramente os poderes institucionais demonstram qualquer interesse em se aproximar da intelectualidade e da academia. Alguns chegam até mesmo a temer que essa aproximação possa conferir poder à comunidade científica, poder esse que representaria uma ameaça ao seu poder, à sua condição dominante e aos seus interesses.

É incrível como há tantos anos a ciência tem a resposta para as questões ambientais, tem mostrado o caminho para a preservação do planeta, mas os interesses econômicos e políticos ainda travam o progresso nesse sentido. É incrível como o mundo produz tanta riqueza, mas a maior parte dela ainda se concentra nas mãos de tão poucos.

Não podemos cobrar da ciência a solução. A ciência vem fazendo a sua parte, vem cumprindo o seu papel, tanto as ciências humanas quanto as ciências da natureza. É sobre a política que deve recair o peso da culpa por esses males da humanidade. Falta o interesse em se mobilizar os poderes institucionais, em se unirem forças para o confronto a esses problemas.


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Publicado na revista eletrônica Referência.

1. MINAYO, Maria Cecília. O Desafio da Pesquisa Social. Em: Pesquisa Social: Teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Olinda continua abandonada

O prefeito de Olinda, Professor Lupércio, foi eleito em 2016 com a promessa de melhorar a vida dos olindenses. Entretanto, como era de se esperar, Olinda continua abandonada. Há mais de trinta anos, não existe respeito pela cidade. Olinda, que já foi a cidade mais importante do país, tornou-se vítima de oportunistas, como esse profissional da política, Lupércio Carlos, que já foi vereador, deputado estadual, e agora é prefeito, graças, sobretudo, ao seu curral eleitoral, composto principalmente de evangélicos e os beneficiários de seu "projeto" Casa de Recuperação Cristo Liberta, cujos participantes dizem nos ônibus cinicamente que não recebe ajuda de políticos...

Hoje, 13 de abril de 2017, bastou cair a chuva normal de todos os anos para vermos que a situação da cidade continua a mesma. Olinda novamente debaixo d'água. A entrada e a saída pela avenida Presidente Kennedy e outras avenidas importantes da cidade ficou quase impossível devido ao acúmulo de água. O prefeito, que em campanha prometeu até colocar drones para garantir a segurança na cidade (!), não fez absolutamente nada para impedir esse transtorno na vida dos olindenses.

Até quando a nossa cidade ficará nas mãos de oportunistas como esses? Até quando teremos prefeitos negligentes e uma câmara omissa, que não cumpre seu papel de cobrar as melhorias para a cidade? Olinda não merece prefeitos como Lupércio, Renildo Calheiros, Luciana Santos, Jacilda Urquiza e Germano Coelho. Esses prefeitos são e serão para sempre uma mancha na história de Olinda. Olindenses, tomemos consciência e rejeitemos esses canalhas!

Imagem do site g1.globo.com

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Entrevista com Bruno Fernandes, candidato a vereador de Olinda

Bruno Fernandes é candidato a vereador de Olinda pelo PSOL - Partido Socialismo e Liberdade. É professor, tem 32 anos, é casado e tem três filhos. Formado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco e pós-graduando em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Plano Municipal de Educação em Direitos Humanos


A Organização das Nações Unidas proclamou os anos de 1995 a 2004 como a Década das Nações Unidas para a Educação em matéria de Direitos Humanos. Nesse período, foram dadas orientações para que fossem criados nos países membros os planos nacionais de educação em direitos humanos, contendo metas e ações específicas para a promoção da educação em direitos humanos, com o objetivo de criar nos povos uma cultura de direitos humanos nesses países.

No Brasil, o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos foi criado em 2003, e foi discutido e revisado, sendo lançada uma nova versão em 2006.

Alguns municípios, como Rio de Janeiro e Joinville, criaram seus próprios planos municipais de educação em direitos humanos, considerando ser essa matéria de extrema importância para a construção de uma sociedade mais inclusiva e tolerante, em que possa existir verdadeira igualdade social.

Nossa proposta para a cidade de Olinda é a criação do nosso Plano Municipal de Educação em Direitos Humanos, a fim de promover a criação e consolidação da cultura de direitos humanos entre o nosso povo, entendendo que a luta pela igualdade social e a emancipação do povo olindense, especialmente daqueles considerados excluídos da sociedade, deve começar pela educação, esta sendo compreendida em sentido amplo.

Acreditamos ser este projeto de grande importância para a cidade e assumimos o compromisso de lutar por sua concretização.


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BRUNO FERNANDES 50.500
Reconstruir Olinda é possível.